Ivan Hugo e a Utopia do Senso

por CoolHype

Mr.Hugo nos traz uma arte conceitual disfarçada de roupas, muito curiosas. Ivan chamou a nossa atenção para seu comportamento na passarela do CFW em 2010. Mas além de um desfile, existe  catálogos muito diferentes e bem elaborados.

O estilista mostrou uma coleção Verão 2011 muito interessante a fora do comum. O desfile e os vídeos da campanha foram levados ao som da cantora Lykke Li (que eu pessoalmente a-m-o). O vídeo abaixo é da música “Get Some” da artista citada, que possui muitas características do estilista em suas obras.

Intitulada de Utopia do Senso, a coleção vem quebrando alguns tabus em relação a moda e ao comportamento da cidade. Trabalhando com a intimidade de seu público, Ivan sugere que as pessoas sejam mais transparentes com elas mesmas e com o mundo, e que não se assustem com o impossível, pois ele é possível, ao mesmo tempo que o designer sugere uma espécie de fantasia, brincando com a teoria das máscaras sociais, reativando desejos infantis da brincadeira com a roupa, desprendendo da ideia coletiva de roupa e sugerindo um pensamento novo que borbulha pelas ruas de todo o mundo […] A coleção é muito carregada de informação visual (símbolos: peças, cores, estampas, figuras, etc…) o que da uma impressão confusa, assim como sugere o tema, a ponto de a principio não se conseguir identificar exatamente as peças, ou parecer uma coisa e ser outra, um sutil trompe l’oeil, refletindo o caos do pensamento dos que criam, o caos dos sonhos, o engano, a dúvida, o incerto, a as falsas aparências, que infelizmente, existe muito aqui em Brasília[…]

Ivan pega referencias de tribos que faziam sua própria roupa e levavam uma vida com fundamentos opostos aos da sociedade cristã ocidental, como os punks, os hippies, pessoas mais velhas (até 20 anos atrás as pessoas arrumavam as suas roupas para seus corpos, durante a década de 80 e 90 se criou uma cultura do corpo muito forte que levou a moda pra outro rumo…) e os dandys (sensíveis, inteligentíssimos, artistas, revolucionários, rebeldes sim, uma rebeldia sutil e elegante, estão tão em alta hoje em dia mais poucos realmente resgatam sua conduta, que os fazem ser tendência, e o motivo de estudo de pesquisadores e interessados. Poucos sabem, por exemplo, que eles faziam suas próprias vestimentas) […]

  • TECIDOS

O projeto conta com peças de alfaiataria desconstruída, entretelas estampadas por cima dos blazers (levando o que é de dentro para fora), peças com temática folk e cigana, carregadas de uma sensualidade que se mistura com a ingenuidade infantil; as peças também contam com melhoramentos exclusivos desenvolvidos pelo estilista, fazendo com que o moletom e o jeans lembrem o couro, além de transparências, estampas no stencil, malhas corroidas pelo devoré, underwear com estampas de bichinhos, aplicações a mão simulando o céu estrelado das noites no mato, pespontos feitos a mão e estampas desenhadas a mão livre para caracterizar a idéia do handmade (faça você mesmo) e aplicações de arrebites que caracterizam as revoluções urbanas pós-contemporâneas socialmente.

  • CORES

As cores passeiam pelo fantasioso, propondo estampas que lembram constelações além de estampas políticas de movimentos urbanos e estudantis, mesclam entre preto, cinza, branco envelhecido, marrom, vermelho, azul, verde musgo e azul bebe, com detalhes com muito brilho de varias cores, muitas misturas entre metais diferentes e estampas com brilho. – release.

Os modelos da campanha João Moreno e Danillo Neves foram fotografados em um singelo quarto, porém com uma decoração bem peculiar. Todas essas traqueiras misturas, desenhos sem sentido, remendos, bagunça, a luz amarela do fundo lembram um quarto de uma pessoa com alucinações psicóticas. Entendem o que quero dizer? Quando essas pessoas não estão mais dentro de si e entram em momento de loucura e começam a quebrar tudo o que vêem pela frente. Pode não ser o raciocínio correto, mas foi assim que eu imaginei.

Para a próxima coleção, Ivan trás inspirações ainda mais alucinantes. aguardem.

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